feita daquilo que marca.

Algumas pessoas são como tempestades. Estrondosas, elas chegam proferindo as suas verdades aos quatro ventos e deixam os seus rastros na pele e no pensamento. De súbito, elas escancaram as frestas do telhado e se infiltram, manchando as paredes e revelando que algo está fora de lugar. Do alto dos seus olhares confiantes, elas semeiam as vontades e as incertezas que ecoam em nossos corações.

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Algumas pessoas são como a brisa.
Despretensiosas, elas viajam pelas quatro estações, carregando segredos e despenteando a imaginação. Sutis e delicadas, elas nos envolvem e nos saúdam com um aceno tímido, fazendo-nos crer que a impermanência é puramente tempestiva. A sua assiduidade a torna um ornamento dos nossos dias, como um rosto que se faz familiar ao tempo e, assim, quase imperceptível.

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Você apareceu sem anunciar, fluindo por toda a casa com o maior cuidado para não tropeçar nas minhas cicatrizes. As suas nuances foram crescendo segundo adentro e se esparramando pelos meus dias, ocupando todo o espaço que existia entre nós dois. O ritmo das suas tormentas encontrou cadência na minha poesia, e era ali que gostávamos de ficar: suas melodias ressignificando a brisa, e as minhas palavras acolhendo as suas tempestades.

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Sua pele tinha a cor e o cheiro da terra que cultivava sentimentos orgânicos, desses que te faziam enxergar a beleza no caos. Em busca de si mesmo, seus poros pulsavam a sede por descobertas e novas aventuras, vestindo a sua alma inquieta com desejos que escapavam por entre os nossos dedos.

Você era leve. E te abraçar era como envolver-se em uma chuva de verão, que refresca e restaura. Gotas geladas que arrepiam a pele e escorrem pelo corpo quente, que se misturam com o suor e se fazem presentes até a gente chegar em casa.

Em casa, onde nos abrigamos da chuva, e onde percebemos que ela também é passageira.

Assim como a tempestade.

Assim como a brisa.

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