feita daquilo que marca.

A sensação era de formigamento e se espalhava dos lábios às extremidades, desabotoando e corrompendo vestígios de pudor. As cores se tornavam cada vez mais vívidas conforme tocávamos a carnadura dos pensamentos insones, desassossegados, repletos de você e eu. Nossas falas se entrecortavam, reciclando ansiedade e contrariando a vontade crescente que tínhamos de ficar em silêncio, seu beijo selando minhas palavras.

Teimamos em adiar o inadiável pelo simples prazer do porvir, e acabamos nos perpetuando em almas insaciadas, eternas entusiastas de nós dois. Suas minúcias habitam minha imaginação em reconstruções do que nossa incompletude deixou em haver. Nossos corpos ainda saboreiam a lentidão dos nossos passos, dançando anestesiados, descompassados, e inundando o tempo e o espaço do que deixamos de colher.

12 de fevereiro de 2012

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